sábado, 12 de outubro de 2013

O que fazer depois que já se tem a Missa Tridentina?


Conseguir a Missa Tridentina em sua diocese já é um desafio e tanto na nossa querida Terra da Santa Cruz. Mantê-la então... nem se fala! Quem pensa que consegui-la já é a vitória, e por isso combateu o bom combate, podendo agora guardar a Fé e esperar receber a Coroa da Glória está muito enganado... São tantas as dificuldades que se não houver verdadeira perseverança do grupo que está à frente da organização da Missa tudo correrá um sério risco de ruir rapidamente. Na situação de perseguição, no geral e não em todas as dioceses, em que nós vivemos, qualquer coisinha ou picuinha é necessária para a suspensão da celebração, tanto por vontade do padre (que pode estar lá apenas por ordem do bispo e, portanto, contra sua vontade) ou por vontade própria do bispo que não tem como fugir da Summorum Pontificum e está apenas aguardando um motivo para acabar com esse grupo "sectário" e "separatista". Daí são necessários certos cuidados e atenções especiais.

Antes de tudo eu acredito que não se deve confiar em médico doente, advogado ladrão, economista pobre e nutricionista gordo. Por isso aqui está a nossa história. Nós temos o que apresentar.

O primeiro ponto que temos que entender é que a luta é pela Fé e não pelo rito da Missa em Si (é pelo rito da Missa que manifesta mais claramente essa Fé e que foi fruto de um desenvolvimento orgânico, e não artificial, da expressão da mesma Fé). Essa falta de consciência é a raiz de boa parte de nossos problemas, e por isso, merecidamente às vezes, alguns de nós somos chamados de "sectários", "separatistas" e daí para pior como vocês bem sabem.

Encontramos constantemente muitos grupos condenando aquilo que crêem ser "modernismo" do Papa ou do Padre Fulano, mas sequer sabem responder algumas das perguntas mais simples do Catecismo de São Pio X. Isso é puro fetichismo pela Missa e podemos dizer que são verdadeiros membros da famosa Confraria dos Panos e das Rendas.

Em segundo lugar algo que esquecemos muito, principalmente por nossas divisões internas (isso nunca prejudicou as celebrações da Missa e nem criou confusão no nosso grupo), é a preocupação com a acolhida dos que assistem a Missa. A Missa não deve ser apenas de um grupo específico, mas de todos os féis que têm vontade e que porventura tenham sido convidados, ou que passaram na frente da igreja no meio da celebração, etc. E essas pessoas precisam ser acolhidas. A falta desse acolhimento pode gerar problemas sérios, como postei aqui.

Aqui em Recife sempre temos alguém para acolher os fiéis e dar-lhes um livreto com as partes fixas da Missa (estamos melhorando este, vocês podem acompanhar as discussões aqui) e um folheto com a Missa do dia (que vocês podem baixar boa parte deles aqui).

Não tem todos os paramentos? Nós também! Quando o padre que os tinha deixou de celebrar a Missa e o nosso Arcebispo, D. Fernando Saburido, muito generosamente, nos dispôs de um padre e uma igreja (uma das mais belas da Arquidiocese, diga-se de passagem), nós também não tínhamos todos os paramentos. Desistimos por causa disso? Não! Fomos com o que tínhamos! Aos poucos e com algumas doações mandamos confeccionar alguns manípulos e conjunto de véu de cálice e bolsa até completarmos todas as cores. Só após algum tempo é que criamos a Benfeitoria Litúrgica Dom Vital, que é um fundo onde recebemos as doações de nossos fiéis (e alguns de fora também) que tem como objetivo comprar os objetos litúrgicos para a celebração de nossa Missa. Em pouco mais de um ano compramos todos os conjuntos de casulas (muitos mais belas do que as que tínhamos antes), as capas de todas as cores e agora não nos falta praticamente nada.

No início da Igreja, como bem explicita Daniel Rops no primeiro volume da sua imensa coleção "História da Igreja de Cristo", as primeiras heresias surgiram por causa do afastamento das comunidades cristãs após a queda de Jerusalém pelos romanos. Hoje a Roma Eterna, a nossa Cidade Santa, parece estar destruída pela crise e com essa situação alguns grupos de fiéis (e padres também) resolvem se separar por completo da realidade da vida eclesial, fugindo assim de suas verdadeiras missões e criando mentalmente um mundo em que, por ser justamente criado e ajustado conforme suas cabeças, deve ser perfeito e conforme suas vontades. Onde será que vão parar? A história já nos mostra...

Aqui em Olinda e Recife sempre tivemos uma boa relação com o clero e com o Arcebispo (que como disse antes nos ajudou bastante designando um padre, aparecendo posteriormente outro que quis rezar por própria vontade, e uma bela igreja). Tanto é que ocasionalmente aparecem convites para celebrarmos a Missa Tridentina em outras igrejas da cidade. Quer mais provas de uma boa relação do que essa? Eis algumas fotos:


Essa Missa foi celebrada no último dia 14 de setembro, em ação de graças pelo Motu Proprio Summorum Pontificum no Santuário de Nossa Senhora de Fátima.


Essas duas últimas foram a nossa celebração do Domingo de Ramos deste ano.

Se, de imediato, não conseguirem a celebração da Missa em suas dioceses não se desesperem. "Tudo ocorre para o bem daqueles que amam a Deus (Rom 8)", nos ensina o Apóstolo. Continuem trabalhando em suas paróquias, pois não se esqueçam que a nossa luta é pela Fé em primeiro lugar. E em Missa de qualquer rito é possível lutar por Ela!

2 comentários:

  1. Parabenizo ao grupo dos que admiram, acompanham e investem sua ação pastoral litúrgica para a manutenção da missa no rito extraordinário. Como publicado acima vejo que o objetivo e os esforços do grupo tem uma causa muito digna pois todos se responsabilizam pela missa. Diferentemente do que vivenciamos em muitas comunidades na qual a liturgia é assunto apenas do padre e dos acólitos. Participei da missa um dia com os irmãos e fiquei impressionado como TODOS acompanhavam devotamente a sagrada liturgia, respondendo as orações em latim unanimemente e fazendo o mais belo silêncio contemplativo nos momentos oportunos, utilizando não somente gestos e palavras como na boa disposição na preparação antes da missa,nas vestimentas, nos cânticos dos hinos,enfim, tudo feito com simplicidade e com muito zelo da parte dos fiéis. quando fui havia até mesmo um grnade grupo de catequese de outra paróquia para conhecer a missa no rito extraordinário. Infelizmente na maioria das nossas paróquias onde a liturgia no rito ordinário com o uso do vernáculo é mal participada, pouco entendida e até mesmo desrespeitada. A missa é a maior e mais sublime oração e ação da igreja.Para ela, converge nossa vida cristã. No entanto é necessário que a comunidade possa também formar uma comunidade de fé. Quero dizer que se reunir só para a missa não é suficiente para formar uma comunidade. Ir à missa é uma necessidade e boa obrigação nossa. Agora, para manter a missa na comunidade de fé que vocês já formaram é algo que vai muito mais além de "manter uma liturgia" e "fazer acolhida". Não é somente acolhida não. Acolhida na igreja é essencial para chamar, convocar, dar boas vindas aos irmãos que vão à santa missa. Antigamente muitos padres recebiam seus paroquianos nas portas da igreja antes da missa.Hoje os fiéis leigos fazem isso.E isso é muito bom que seja feito! Porém acredito que seja interessante ir além... Formar uma comunidade de fé, de irmãos e irmãs onde todos se conheçam e possam colocar os dons dados por Deus a serviço do próprio Deus e da Igreja. Nem sempre é necessário que a comunidade de fé seja a comunidade geográfica. Vocês já se tornaram uma comunidade de fé. É necessário que haja plena consciência disso.Com o aval do bispo e boa vontade de um padre a Providencia já vos beneficiou.Alás o bispo o fez porque vocês já expressaram o desejo de em comunidade rezar a santa missa juntos. Uma comunidade cristã não necessariamente é uma comunidade geográfica. Muitos dos que participam da missa extraordinária vão geralmente de longe para a Igreja dos militares. Quem sabe procurar reunir-se para fundar uma pastoral litúrgica forte que possua até mesmo representação arquidiocesana. Também pequenos grupos de espiritualidade cristã como oração, estudos bíblicos e teológicos, ensaios musicais, corais, missões.Que tal realizar seminários, cursos e aprofundar a liturgia ou até mesmo o convívio fraterno. Com certeza todos tem bastante competência para isso. Isso é difícil. Mas quero dizer que a motivação não deveria ser somente a liturgia. A liturgia deve iluminar toda nossa vida de oração e ação-missão. Poderão ser mais que um grupo que prepara a missa. Não cairão no desânimo. Assim vocês poderão não somente manter a missa de sempre como também poderão promovê-la e quem sabe ajudar a remover os preconceitos e fazer que novos e futuros sacerdotes possam também celebrá-la e que mais grupos de fiéis possam desejá-la. Enfim, recebam meus sinceros parabéns e meus votos de prosperidade.

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  2. Muito obrigado pelas belas palavras, George.

    Sim, o nosso esforço é ser algo mais do que apenas um grupo onde se tem a Missa Tridentina e sim, como você mesmo falou, uma comunidade de fé viva e com a esperança sempre em Deus.

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