segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Santos por serem canonizados ou canonizados por serem santos?

Na manhã desta segunda-feira (30/09) fomos informados da decisão do Papa Francisco em canonizar os Beatos João XXIII e João Paulo II no próximo 27 de abril, data em que se comemora o Domingo da Misericórdia e também o Domingo "In Albis" (no rito gregoriano). Logo surgem as críticas da resistência tradicionalista sectária que todos os domingos assiste a Missa do XXIV Domingo depois de Pentecostes de suas cômodas residências através da tela da televisão e com auxílio de seus aparelhos de DVD (ou até mesmo pelo You Tube). Creio que a seguinte imagem reflete uma boa parte deles:


Uma das coisas que fico impressionado com essa "ala" da resistência tradicionalista é a incapacidade de dissociar a capacidade de governo desses papas (que têm aspectos criticáveis, e inclusive eu critico!) com as suas virtudes pessoais (que por sua vez não tem relação nenhuma com o modo e as decisões de governo).

Não é a canonização que faz o candidato chegar ao paraíso ou muito menos rogar pelos homens que ainda se encontram neste vale de lágrimas no qual ainda padecemos, mas sim antes as suas virtudes - sim, essas sim - que o faz chegar à Terra Prometida (sim, como qualquer um de nós. Há mistério nisso?).

Por isso o consenso entre os teólogos sobre a Infabilidade Papal na canonização. Quando a Igreja canoniza alguém é inspirada e impedida do erro pelo Espírito Santo, pois Deus nunca permitiria que Sua Igreja prestasse honra a um réprobo.

Não é porque um Papa não governou bem a Igreja (devido a várias circunstâncias) que houve a impossibilidade da parte dele em cultivar suas virtudes diante de Deus. O Papa é o Papa, e o Santo é o Santo. Não, eu não estou separando uma pessoa em duas. Estou apenas dizendo que não existe, e nunca existirá, o Papa perfeito como o nosso amigo aí da foto acima espera (cheio de brocados e panos, com decisões perfeitas e com um latim impecável).

Sem dúvidas o Papa que mais decepcionou Nosso Senhor Jesus Cristo foi o primeiro. Qual outro negou-Lhe enquanto apanhava de seus algozes? E Nosso Senhor tirou-lhe a Coroa da Glória e do Martírio por esta pérfida traição? Tirou-lhe as Chaves do Reino? Não, ao contrário, rogou ao Pai para que São Pedro se mantivesse firme na Fé, confirmasse os demais e prometeu ainda que estaria com a Igreja até o fim dos tempos (não impôs condição do Papa ser santo ou não, até onde eu sei...). Se perdoou São Pedro e o elevou aos altares, o que impediria de elevar também os outros pelo, visto de alguns ângulos, mal governo? Os "Defensores e Guardas da Verdadeira Tradição Católica"?

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