sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Quais foram os resultados das Cruzadas?

Trecho do livro As Grandes Heresias:
É muito interessante tomar um mapa da Europa e marcar os limites extremos alcançados pelos inimigos da cristandade diante de suas batalhas pela sobrevivência. Os piores ataques dos asiáticos atingiram até Tournus, sobre o Sena, que está exatamente no centro do que hoje é a França; os mulçumanos atingiram também, como vimos, o centro da França de hoje, algo entre Tournus e Poitiers. Os horríveis pagãos e piratas escandinavos atacaram a Irlanda, toda a Inglaterra, e navegaram por todos os rios do Norte da França e da Alemanha. Foram até Colônia, sitiaram Paris, quase tomaram Hamburgo. As pessoas hoje se esquecem de quão duvidosa era a sobrevivência da civilização católica na Alta Idade Média, entre os meados do século VIII e o final do século IX. Metade das ilhas mediterrâneas e todo o oriente próximo tinham caído nas mãos dos mulçumanos, que lutavam para conquistar a Ásia Menor; enquanto o norte e o centro da Europa estavam permanentemente sob ataque dos asiáticos e dos pagãos do norte.Então, surgiu a grande reação e o despertar da Europa.
O processo começou com a cavalaria que, vinda da Gália, invadiu a Espanha e com os cavaleiros espanhóis nativos que forçaram a retirada dos mulçumanos. Os piratas escandinavos e os agressores asiáticos tinham sido vencidos há duas gerações. As peregrinações para Jerusalém, longas, caras e perigosas, mas contínuas durante a Idade Média, eram agora especialmente perigosas por causa da nova onda de soldados mongóis muçulmanos que se estabelecera no Oriente e especialmente na Palestina; e um clamor surgiu: os lugares sagrados, a verdadeira Cruz (que era preservada em Jerusalém), as comunidades cristãs remanescentes da Síria e da Palestina e, acima de tudo, o Santo Sepulcro – o lugar da Ressurreição, o lugar principal de toda a peregrinação – deveriam ser salvos das mãos usurpadoras do Islã.
[…] a primeira marcha dos cruzados tinha trazido tantas novas experiências à Europa Ocidental que a cultura se desenvolveu rapidamente e produziu uma arquitetura magnificente e a sofisticada filosofia e estrutura social da Idade Média. Esse foi o real resultado das Cruzadas. Elas fracassaram em seus objetivos mas modernizaram a Europa. Todavia, fizeram isso à custa da antiga idéia da unidade cristã: com o crescimento material da civilização, as nações modernas começaram a tomar forma. A cristandade ainda se manteve unida, mas de forma frouxa. Finalmente, veio a tormenta da Reforma, a cristandade se rompeu, as várias nações e príncipes alegaram independência em relação a qualquer controle, tal como a posição moral do papado, e descemos a rampa em cujo fim se encontrava o massacre da guerra atual – o que pode comprovar a destruição da nossa civilização. Napoleão Bonaparte disse muito bem: “Toda guerra da Europa é, na verdade, uma guerra civil.” Isso é uma verdade profunda. “A Europa cristã é e deve ser, por natureza, uma; mas ela se esqueceu de sua natureza e da sua religião.”
— Belloc, H. As grandes Heresias, p.63-64; 67-68.

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