sexta-feira, 6 de julho de 2012

Capitalismo ou "Dinheirismo"?

Muito se critica os operários por terem tendências esquerdistas, mas pouco se culpa os empresários de incentivá-los, de uma forma ou de outra, a aderir tais tendências como forma de defesa pelo tratamento que recebem. Quantos abusos os patrões fazem seus empregados, principalmente os empregados que trabalham com a área técnica,principalmente nas áreas rurais. Podemos citar como exemplo um trecho tirado do artigo a seguir:

"Os inúmeros casos documentados de abusos sobre os trabalhadores, que vão da contratação em condições análogas a escravo, às mortes por excesso de trabalho, colocam os usineiros no  seguinte dilema: ou melhoram  as  condições de  trabalho dos trabalhadores ou não conseguem exportar álcool. Para escapar desse dilema, os usineiros pretendem adotar a mecanização completa do corte." (p. 155) [1]

Ou mais ainda:

"Para os usineiros, a expansão da produção e a do mercado externo podem ser conseguidas apenas com a erradicação do corte manual, eliminando milhares de postos de trabalho, e com a consecução de certificações sociais [...]" (p. 155-156) [idem ao 1]

Como ganhar a confiança desses empregados sem ao menos tratá-los como seres humanos? Assim fica complicado...

Quem não tem nada quer ter alguma coisa, e quem tem algo não quer perder. Como eles poderão ter alguma coisa se lhes falta até a dignidade? Enquanto isso nossos banqueiros estão cada vez mais ricos...

Não estou criticando a riqueza de ninguém, muito menos o direito à propriedade privada (que é um direito natural do ser humano). O que estou criticando é o que fazem para conseguir o tão sonhado dinheiro... Há uma crise ideológica, as elites não têm mais um rumo e com isso se vendem facilmente para obter riquezas e poder. Os empresário financiam os políticos que lhes dão maior lucro (onde já se viu banqueiros apoiarem o PT? Um partido comunista!). Não há mais senso ideológico e nem do certo e do errado. O certo, para o homem moderno, é aquilo que lhe dar prazer, poder e dinheiro.
"O erro capital na questão presente é crer que as duas classes são inimigas natas uma da outra, como se a natureza tivesse armado os ricos e os pobres para se combaterem mutuamente num duelo obstinado. Isto é uma aberração tal, que é necessário colocar a verdade numa doutrina contrariamente oposta, porque, assim como no corpo humano os membros, apesar da sua diversidade, se adaptam maravilhosamente uns aos outros, de modo que formam um todo exactamente proporcionado e que se poderá chamar simétrico, assim também, na sociedade, as duas classes estão destinadas pela natureza a unirem-se harmoniosamente e a conservarem-se mutuamente em perfeito equilíbrio. Elas têm imperiosa necessidade uma da outra: não pode haver capital sem trabalho, nem trabalho sem capital." (Leão XIII, Rerum Novarum, 9)
Todo o nosso esforço em dizer que não há uma luta de classes, mas deve haver uma cooperação entre elas, será inútil caso os detentores dos meios de produção continuarem agindo da forma que agem em sua cegueira pelo dinheiro.


Um comentário:

  1. Muito bem colocado, Cláudio. Os empresários brasileiros deviam se espelhar em exemplos de inovação, produtividade e aplicação do Evangelho nas relações sociais, como o de Delmiro Gouveia, que o de financistas improdutivos e apoiadores de tudo que é causa revolucionária, como George Soros.

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