sábado, 30 de junho de 2012

Torturadores têm anistia ameaçada

Por que não investigam também o outro lado da história? O pessoal revolucionário era tão bonzinho...
"Se a comissão Nacional da Verdade tem passado ao largo da discussão sobre a Lei da Anistia, o quase homônimo colegiado instalado na Câmara se prepara para mirar no olho da questão mais polêmica em relação aos esforços do governo para resgatar as memórias dos fatos acontecidos na ditadura. A presidente da Comissão Parlamentar da Verdade, deputada Luiza Erundina (PSB-SP), disse ontem que irá trabalhar para emplacar projeto de sua autoria que derruba a anistia a torturadores de regime militar instalado em 1964.
Para Erundina, a principal diferença entre a função das duas comissões é o caráter político da instalada na Câmara. "Temos esse componente politico que a comissão da verdade não tem", disse a deputada, ontem. "Forçaremos nos limites do poder dos nossos mandatos para que não só se descubra os responsáveis por tortura, assassinatos e estupros, mas que também paguem por isso".
Criada como órgão auxiliar da comissão nacional, o grupo da Câmara entra, dessa forma, em uma discussão tratado com cuidado extremo pela presidente Dilma Rousseff, que evita falar em revogação da Lei da Anistia e já chegou a declarar que o torturador foi "apenas um agente" da ditadura. "Eu não acho que o torturador seja o problema", disse a presidente, em entrevista durante a Rio +20, pouco depois da revelação de seu depoimento sobre a tortura que sofreu em Minas Gerais quando foi presa pelo regima militar , como revelou o Correio Braziliense/Diário.
"Discordo da presidente", disse Erundina. "Acho a presidente generosa por ter esse entendimento. Mas devemos mais a esses familiares e a essas vítimas. Temos que ir até ás últimas consequências, a decisão do Supremo de validar a Lei da Anistia pode ser alterada", afirmou a deputada.
Na próxima semana, a discussão deve ganhar palco na Câmara, com a realização, pela comissão parlamentar, de seminário internacional sobre a Operação Condor, como ficou conhecida a aliança político-militar entre governos militares sul-americanos criada para coordenar a repressão a movimentos políticos contrários às ditaduras.
(Diário de Pernambuco, 30 de junho de 2012)"

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