domingo, 6 de maio de 2012

O Destino do Homem e a Fé

INTRODUÇÃO
“... convido-vos: estudai o catecismo! Esse é o meu desejo, de coração... estudai o catecismo com paixão e perseverança! Sacrificai o vosso tempo para isso! Estudai-o no silêncio do vosso quarto, leia-o em dupla, se sois amigos formais grupos e redes de estudo, trocai ideias pela Internet. Permanecei, de todos os modos, em diálogo sobre a vossa fé!” (Bento XVI)
Por isso e por muito mais sou catequista, com a graça de Deus. Esta série de comentários dos artigos do Credo são resumos dos assuntos tratados nas aulas de catequese que ministro.  Os artigos serão postos em partes, alguns talvez sejam colocados em duas ou mais partes. Sei das deficiências catequéticas em que vivemos em nossas paróquias nas últimas décadas e espero, se o bom Deus permitir, poder ajudar muitas almas com estas simples explicações.
Boa leitura!
O DESTINO DO HOMEM E A FÉ

O destino do homem deve ser o problema central de todos nós, ao menos dos que querem tentar tomar consciência de si mesmo.
  • De onde viemos?
  • Onde estamos?
  • Para onde vamos?
O que importa, no fim das contas, é a última pergunta que se refere ao nosso fim. Porém, para entendermos esta última temos que entender as duas primeiras. A nossa vida não pode ser simplificada em três partes, há uma unidade, há uma continuidade e não há limites claros entre essas três perguntas. Uma completa as outras duas e isso vale para qualquer uma das três.

Daí vem a religião (devido à impossibilidade do materialismo), o homem, após a queda, deve ser religado a Deus. A religião é a única forma de respondermos a essas três perguntas, e sendo mais específico, o catecismo responde-as com muita clareza e objetividade. Daí a importância do estudo da religião! Não devemos estudar a religião para os outros, mas esse estudo deve ser de natureza existencial do próprio ser humano.

E no nosso caso mais específico vamos estudar o Cristianismo (aquele que acreditamos ser o revelado por Deus).

No estudo do Catecismo temos a Fé como o assentimento por tudo o que foi revelado por Deus. O fim do ser humano é tão elevado que sua natureza não permite que chegue por si mesmo ao seu conhecimento. A Fé, portanto, é uma virtude. Podemos definir a virtude como: um hábito que aperfeiçoa a alma e podem ser adquiridas ou infundidas por Deus. No caso da Fé, ela é infundida já que o objeto é o próprio Deus (nos aprofundaremos nas virtudes mais na frente). O hábito que deve ser vivenciado é a crença na Revelação.
“Ora, sem Fé é impossível agradar a Deus, pois para chegar a Ele é necessário que se creia primeiro que Ele existe e que recompensa os que O procuram.” (Hb 11, 6)
E como sabemos o que é ou o que não é algo revelado? São necessárias duas condições:
1.      Que seja Revelado por Deus de alguma forma;
2.      Que seja proposta pela Igreja.
“Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo 14, 6)
Esta passagem da Sagrada Escritura nega qualquer possibilidade de Deus se enganar ao nos revelar algo, pois Ele é a própria Verdade.
Os Dogmas da Fé podem ser divididos em:
1.    Verdades inacessíveis à razão: os mistérios que a razão não é capaz de descobrir. A Santíssima Trindade, por exemplo.
2.   Verdades acessíveis à razão: poderíamos chegar ao conhecimento deste pela razão. Deus, porém os revelou para que se ficasse mais nítido. Caso contrário, poucos teriam chegado a eles já que nem todas as civilizações têm um Aristóteles, não? A existência de Deus é um exemplo.
3.   Fatos históricos: os anúncios dos profetas com relação ao Messias e tiveram sua realização na vida de Jesus Cristo.
As fontes da Revelação são:
·   A Sagrada Escritura à Segundo o Concilio Tridentino a Sagrada Escritura é o conjunto dos livros que “foram escritos por inspiração do Espírito Santo, têm, como autor, o próprio Deus, e chegaram à Igreja com este caráter”. Por inspiração se entende como um impulso sobrenatural promovido pelo próprio Deus que levou os autores sagrados a escrever, de forma que tudo o que eles recebiam de revelado, pelo próprio Deus, repassavam de forma escrita sem erro. Mesmo sendo inspirados, tais autores mantiveram suas particularidades, hábitos literários, cultura, etc. ao escrever os Sagrados livros.
·   A Tradição à É o conjunto das Revelações feitas por Jesus Cristo aos apóstolos que transpassaram os séculos até nós de outra maneira que não seja a Sagrada Escritura. A Tradição é anterior ao Novo Testamento, pois os primeiros ensinamentos dos Apóstolos foram passados oralmente entre as primeiras comunidades cristãs. A extensão da Tradição é maior do que a da Sagrada Escritura, pois diz São João: “Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que e deveriam escrever(Jo 21, 25). São Paulo manda guardarem a Tradição: “ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa (2 Ts 2, 15) e ainda: “o que de mim ouvistes em presença de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis que, por sua vez, sejam capazes de instruir a outros (2 Tm 2, 2).
Todas as Verdades Reveladas por Deus estão, de forma resumida, no credo. São quatro os credos principais: o Símbolo dos Apóstolos, o Credo Niceno-Constantinapolitano, o Credo de Santo Atanásio e o Credo do Povo de Deus. O Credo que estudaremos é o Símbolo dos Apóstolos. Reza a Tradição que este Símbolo foi criado pelos próprios Apóstolos, que distribuíram toda a Fé em doze artigos, e compuseram uma fórmula, para saber os verdadeiros seguidores do Cristo. Serviria para que os cristãos tivessem a mesma crença e a mesma linguagem.
O Símbolo dos Apóstolos é dividido em três partes:
·         Deus Pai e a Criação;
·         Filho e Redenção;
·         Espírito Santo (os símbolos que se seguem dependem diretamente deste último)
Para estudar os dogmas é necessário ter em mente a diferença entre algo incompreensível (ou superior à razão) e algo ininteligível (ou contrário à razão). Incompreensível é o que não é completamente penetrado ou explicado para que desapareçam todas as trevas da nossa inteligência para que haja uma equação perfeita entre o objeto e o pensamento, é algo que pela nossa própria natureza nunca será compreendido porque somos incapazes. Ininteligível é algo que não corresponde à idéia alguma. É contrário à razão aquilo que a faz se desmentir. Alguns mistérios revelados por Deus são incompreensíveis (demos as divisões logo acima), porém não são ininteligíveis.
Aqui encerramos nossa breve introdução ao Símbolo dos Apóstolos.

O próximo comentário será sobre o 1º Artigo do Credo: Creio em Deus Pai todo Poderoso criador do céu e da terra [clique aqui]

Um comentário:

  1. Pediram as referências que usei:
    -Catecismo Romano (como disse no texto);
    -Doutrina Catholica, o dogma (Boulenger);
    -Manual de Instrução Religiosa Vol IV (Mons. Cauly)
    -Teologia Moral (Del Greco)

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